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Esterilização: esclareça as suas dúvidas!
Em que consiste a esterilização?
A esterilização ou castração consiste na remoção cirúrgica dos aparelhos reprodutores da fêmea e do macho,
diminuindo a frequência de determinados comportamentos de acasalamento, o risco de desenvolvimento de
doenças relacionadas com estes órgãos, o risco de transmissão de doenças e o risco de propagação da população.
O termo “castração”, sobretudo no caso dos machos, tem normalmente uma conotação negativa associada. Neste
sentido preferimos utilizar o termo “esterilização”.
Nas fêmeas, a esterilização consiste normalmente na remoção cirúrgica do útero e dos ovários (ovariohisterectomia), e nos machos consiste na remoção dos testículos (orquiectomia).
Existem procedimentos alternativos que apenas impedem a fecundação (a laqueação de trompas ou remoção apenas dos ovários (ovariectomia) no caso das fêmeas e a vasectomia no caso dos machos). Estes procedimentos são realizados cada vez com menor frequência porque são de acesso mais difícil e não oferecem vantagens comportamentais que se pretendem como resultado duma esterilização (por exemplo, as fêmeas continuam a ter o cio e a atrair machos, e os machos continuam a querer acasalar com fêmeas e a fugir de casa para tal).
A esterilização é perigosa? É dolorosa?
A esterilização é realizada sob anestesia geral, e uma anestesia geral envolve sempre algum risco. No entanto, este procedimento é já uma cirurgia de rotina e, quando realizado num animal saudável, é considerado seguro.
No CVL tentamos minimizar os riscos cirúrgicos e anestésicos desta e de todas as outras cirurgias. Para isso trabalhamos com anestesia volátil/inalatória, mantemos sempre uma via aberta para situações de emergência (durante a cirurgia o animal recebe fluidoterapia através duma veia periférica pela qual podemos administrar medicação de emergência caso seja necessário) e controlamos através dum monitor de anestesia volátil parâmetros como a frequência cardíaca e respiratória do seu animal.
Para mais informações sobre anestesia volátil clique
Antes de qualquer intervenção cirúrgica, todos os animais são sujeitos a um exame clínico integral que poderá ser complementado com exames pré-anestésicos. Com base nisto, selecionamos o melhor plano anestésico para cada animal, adequado às necessidades particulares do seu companheiro e minimizamos desta forma os riscos de complicações cirúrgicas e anestésicas.
Para nós, é ainda de extrema importância o controlo da dor durante a anestesia, assim como no pós-operatório. Para isso usamos fármacos e técnicas de analgesia de última geração e, através da monitorização anestésica contínua, adequamos a anestesia e a analgesia às necessidades do seu companheiro. No recobro o animal acorda numa área aquecida e confortável e o controlo farmacológico da dor mantém-se.
Qual a idade aconselhada para esterilizar o meu animal?
A idade geralmente aconselhada para a esterilização é a partir dos 5-6 meses, de preferência antes do primeiro cio.
Contudo, no caso de cães e cadelas de porte grande, poderá ser recomendável que a cirurgia seja realizada mais tarde. Aconselhe-se connosco.
No caso das fêmeas, a esterilização não deve ser realizada na altura do cio nem no período imediatamente após o parto. Se a sua cadela/gata está em cio deverá aguardar pelo menos 3 semanas após o final deste e se a sua gata ou cadela teve filhotes deve aguardar cerca de 2 a 3 semanas depois do desmame para realizar a cirurgia. Independentemente disto deverá agendar connosco a cirurgia o quanto antes para a data que vos for mais favorável.
Porquê esterilizar uma fêmea se lhe posso dar anticoncecionais?
A utilização de pílulas ou injeções de anticoncecionais não é de todo recomendada. Pode parecer uma alternativa atrativa a curto prazo mas para além de, a médio prazo, ficar bastante mais dispendioso do que a cirurgia em si, contribui para o desenvolvimento de tumores mamários e de infeções uterinas que podem comprometer seria e gravemente a saúde da sua cadela/gata.
O que acontece se eu não esterilizar o meu animal?
Nas fêmeas
As cadelas atingem a sua maturidade sexual entre os 6 e os 12 meses e as gatas entre os 6 e os 8 meses de idade.
As cadelas entram em cio ou período de estro aproximadamente uma vez a cada seis meses e dura cerca de 21 dias, podendo ser mais curto ou mais longo dependendo da raça e de outras condicionantes (entre 7-10 dias até 4 semanas ou mais).
Na primeira fase do cio, um período que pode estender-se por 3 a 15 dias, a cadela começa por apresentar a vulva inchada, sangramento vaginal e possível aumento de urina. Embora os machos demonstrem interesse na cadela, nesta altura a cadela ainda não está recetiva ao acasalamento. Segue-se depois uma fase em que a descarga vaginal pode tornar-se amarelada ou eventualmente cessar, e em que a cadela apresenta um comportamento muito característico, ficando quieta e desviando a cauda para o lado quando lhe tocam atrás ou na presença de um cão. Esta é a fase em que a cadela aceita o macho e pode estender-se por 4 a 21 dias.
A gata é um animal poliéstrico sazonal, ou seja, numa mesma época reprodutiva apresenta vários períodos de cio e a atividade sexual não é contínua ao longo do ano. A sua época reprodutiva está ligada ao número de horas de luz diárias, deste modo, no hemisfério norte a época de reprodução das gatas é principalmente de Janeiro a Outubro (no entanto, o cio das gatas de interior poderá manifestar-se ao longo de todo o ano, pois a luz artificial sujeita-as ao mesmo ciclo de luz/escuridão durante as quatro estações). O cio na gata dura aproximadamente 4 a 10 dias e reconhece-se através de comportamentos característicos – o seu miar torna-se constante e intenso, rebolam no chão frequentemente, têm maior tendência para se roçar e arqueiam o dorso enquanto desviam lateralmente a cauda aquando de algum contacto. Se a gata não for fecundada ou esterilizada, o cio voltará a ocorrer após 4-22 dias (e assim sucessivamente até ao fim da época de acasalamento, o que não é particularmente bom para a saúde da gata devido ao desgaste físico e psicológico do cio.
Nos machos
Tanto os cães como os gatos atingem a sua maturidade sexual entre os 6 e os 9 meses de idade.
É importante referir que um cão ou um gato “entra em cio” quando tem algum tipo de contato (visual, auditivo, olfativo) com uma fêmea. Um cão ou gato pode manifestar comportamento reprodutivo se simplesmente sentir o cheiro das hormonas sexuais que a fêmea emite ou ouvir as vocalizações desta. É comum em gatos de apartamento que não têm contacto com outros animais quererem fugir para 3 andares acima porque é onde está uma fêmea em cio.
Com a esterilização deixam de existir os cios e, consequentemente, os comportamentos indesejáveis daí resultantes (lutas, fugas e desaparecimentos, marcação de território,…), bem como alguns problemas de saúde associados (lacerações por lutas, atropelamentos, transmissão de doenças infeciosas, infeções uterinas e prostáticas,…).
Quais são as vantagens da esterilização das fêmeas?
Aqui fica uma listagem das maiores e mais importantes vantagens da esterilização das fêmeas:
· Deixa de haver o inconveniente do cio, com todas as suas alterações fisiológicas e comportamentais (corrimento vaginal sanguinolento, tendência para fugir para ir procurar macho, micção fora dos lugares habituais, chamada dos machos, ficarem mais agitadas, …);
· Anula a possibilidade duma gravidez indesejada (uma gestação que corre bem exige alguns cuidados de saúde com a cadela/gata gestante e como com as crias, assim como a responsabilidade de encontrar bons lares para todas as crias; uma gestação que corre mal pode colocar a vida da sua cadela/gata em risco e obriga-lo a despesas com tratamentos médicos e/ou cirúrgicos como uma cesariana);
· As fêmeas deixam de demonstrar comportamentos de ansiedade e irritabilidade associados à época de cio, bem como o miar frequente, no caso das gatas;
· A esterilização realizada antes do primeiro cio reduz drasticamente o risco de tumores mamários. Cerca de 50% dos tumores que se desenvolvem nas cadelas são mamários, e 45% destes são malignos. Nas gatas, os tumores mamários são o terceiro tipo de tumor mais comum, em que 90% são malignos. No geral, gatas e cadelas esterilizadas, possuem um risco 7 vezes menor de desenvolverem neoplasias das glândulas mamárias, comparativamente as sexualmente intactas. No caso das cadelas, a esterilização antes do primeiro cio reduz para 0,5% o risco de neoplasia mamária e para 8% se esta for realizada após o primeiro cio;
· Previne o aparecimento de piómetra (infeção bacteriana do útero, potencialmente fatal);
· Elimina a probabilidade de desenvolvimento de tumores no útero e/ou nos ovários;
· Elimina o risco de pseudogestação (gravidez psicológica) – para além de ser incómodo para a própria fêmea e para o dono, existe maior risco associado ao aparecimento de tumores mamários em fêmeas que usualmente desenvolvem pseudogestação.
É importante referir que tanto nas fêmeas como nos machos, existe um aumento da longevidade nos animais esterilizados, em comparação com os animais intactos sexualmente. Em média os cães/cadelas esterilizados têm uma longevidade 1 a 3 anos superior à dos sexualmente intactos e nos gatos/gatas esse aumento de longevidade é em média de 3 a 5 anos.
Quais são as vantagens da esterilização dos machos?
A esterilização nos machos provoca uma drástica redução da circulação de testosterona (para além dos testículos, o córtex adrenal produz uma pequena percentagem da hormona) e, consequentemente, os comportamentos sexuais e de agressividade resultantes da ação desta hormona podem diminuir.
Algumas possíveis alterações são:
· Pode diminuir a marcação do território (especialmente problemática nos gatos);
· Deixam de demonstrar comportamentos de ansiedade e irritabilidade devido à presença de uma fêmea em estro nas redondezas;
· Menor propensão para fugir de casa e vaguear pela rua à procura de uma fêmea;
· Pode diminuir a agressividade para com outros machos, reduzindo assim a possibilidade de contração de doenças (especialmente FIV-Vírus da Imunodeficiência Felina, no caso dos gatos);
· Elimina o risco de desenvolvimento de tumores nos testículos (segundo tipo de tumor mais comum nos cães);
· Diminuição do risco de hipertrofia-hiperplasia prostática benigna (HPB);
· Diminuição do risco de prostatite (infeção da próstata);
· Pode diminuir o comportamento de “monta” nos cães;
· A urina perde o cheiro muito ativo caraterístico dos machos inteiros, especialmente nos gatos.
É importante referir que tanto nas fêmeas como nos machos, existe um aumento da longevidade nos animais esterilizados, em comparação com os animais intactos sexualmente. Em média os cães/cadelas esterilizados têm uma longevidade 1 a 3 anos superior à dos sexualmente intactos e nos gatos/gatas esse aumento de longevidade é em média de 3 a 5 anos.
A esterilização tem desvantagens?
Sim, a esterilização poderá ter algumas desvantagens, no entanto os benefícios alcançados com a esterilização superam as possíveis complicações que possam ocorrer.
Nenhum dos problemas abaixo mencionados é consequência obrigatória da esterilização, sendo que para muitos deles ainda não existem estudos suficientes que comprovem a relação directa com o procedimento. Há que se ter igualmente em atenção fatores como a raça, a própria predisposição desta para determinados problemas, bem como outros fatores genéticos individuais.
Algumas das desvantagens podem ser:
· Aumento de peso e problemas de obesidade, principalmente nos gatos – não se trata de uma consequência obrigatória da esterilização e pode ser evitado com exercício físico e dieta apropriado. Existe uma possível relação com a diminuição da taxa metabólica nos gatos e gatas esterilizados e aumento do apetite nas cadelas esterilizadas. A obesidade pode, portanto, ser consequência do incorreto ajustamento da quantidade de alimento fornecido por parte dos donos. Verifica-se diminuição da incidência de obesidade nos cães e cadelas que foram submetidos a esterilização antes dos 5 meses de idade;
· Desenvolvimento de osteossarcoma, hemangiossarcoma e TCC (carcinoma das células de transição) na bexiga;
· Rutura do ligamento cruzado cranial no cão;
· Cerca de 2% dos cães esterilizados desenvolvem neoplasia da próstata, em comparação com entre 0,2% e 0,6% nos cães intactos sexualmente – diferença de apenas 1,8 – 1,4%;
· Doença do trato urinário inferior felino (ainda em estudo);
· Incontinência urinária em situações de excitação e durante o sono, em fêmeas esterilizadas com idade inferior a 3 meses – controlável com tratamento médico. De referir que as esterilizações atualmente são feitas (exceto em alguns canis/gatis internacionais) por volta dos 5-6 meses de idade e nunca antes dos 3 meses de idade;
· Dermatite vaginal e vaginite em cadelas esterilizadas antes de atingirem a puberdade;
· Hipotiroidismo nos cães e cadelas;
· Diabetes mellitus; de referir que no caso do seu animal não esterilizado desenvolver esta patologia, uma das indicações médicas para o controlo da doença é a própria esterilização;
· Infeções urinárias nas cadelas.
Que cuidados devo ter com o meu animal após a cirurgia?
· Administrar a medicação prescrita nas doses e frequências indicadas;
· Disponibilizar um ambiente calmo, por forma a ajudar na recuperação, preferencialmente dentro de casa;
· Evitar que o animal corra e salte durante os primeiros dias que se seguem à cirurgia;
· Estar atento se o animal lambe a incisão;
· Evitar dar banho durante pelo menos 10 dias após a cirurgia;
· Verificar a incisão diariamente, por forma a confirmar se a cicatrização está a ocorrer corretamente;
· Se for detetado algum tipo de alteração na zona da incisão, tais como rubor e/ou edema, deve contactar-nos
· Ter atenção nas mudanças de comportamento do animal, nomeadamente letargia, diminuição do apetite, vómitos e/ou diarreia – contactar-nos imediatamente.
Se ficou com alguma dúvida, esclareça-a connosco! Estamos aqui para o ajudar a tomar as melhores decisões para si e para o seu melhor amigo.



